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Cozinha Solidária da Cúpula dos Povos serve 21 mil refeições diárias na COP30

A Cúpula dos Povos, realizada em Belém durante a COP30, contou com uma das maiores operações de alimentação coletiva já organizadas por movimentos sociais no Brasil. A Cozinha Solidária da Cúpula dos Povos, que contou com apoio do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), serviu cerca de 21 mil refeições diárias a trabalhadores, participantes, voluntários e comunidades envolvidas na conferência. A operação ocorreu entre os dias 12 e 16 de novembro, com cerca de 150 pessoas trabalhando diariamente, manipulando aproximadamente 10 toneladas de alimentos.

A nutricionista Ana Paula Ferreira foi convidada para coordenar parte da operação. Segundo ela, a grandiosidade da estrutura foi inédita. Para dar conta do volume, a cozinha funcionava em três turnos: café da manhã, almoço e jantar. “Essa cozinha foi feita com vários movimentos, principalmente com o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), movimentos que já atuam em cozinhas solidárias. E o diferencial dessa cozinha é que era extremamente ocupada. Então a gente contava com 20 panelões entre panelas e autoclaves. Isso é muita coisa”, detalha.

Segundo Ana Paula, a operação deu prioridade aos insumos da região, o que tornou a experiência muito mais rica para os visitantes. Polpas de frutas, peixe, frango, vegetais, frutas e tubérculos foram alguns dos itens que compuseram o cardápio servido, garantindo alimentação saudável, nutritiva e sustentável aos participantes. “Participar disso é de uma riqueza cultural, territorial e de saberes inestimáveis. É um caldeirão fervilhante de cultura, idiomas, costumes e etnias. É fantástico”, comemora, reforçando o papel social de seu trabalho. “A nutrição e a agroecologia andam de mãos dadas. A gente consegue fazer um bom trabalho quando tem um alimento saudável, livre de agrotóxico, quando a produção não polui água, solo ou pessoas. Não tem como falar de agroecologia, soberania e segurança alimentar sem esse respeito à vida”, declara a nutricionista, que encerra definindo sua participação como transformadora.

“Voltei de Belém e parece que ganhei um presente. Fiquei muito feliz de estar lá, vendo tudo acontecer, todas as etnias, todas as discussões. Fiz parte desse corpo que foi a Cúpula dos Povos e estou radiante”, celebra Ana Paula.

Papel do CRN-7

Originalmente inscrita no CRN-2, Ana Paula precisou de uma nova inscrição para atuar na cozinha solidária da Cúpula dos Povos, garantindo a conformidade técnica das ações de alimentação e nutrição desenvolvidas no evento. Para tanto, a nutricionista solicitou uma inscrição secundária no CRN-7 e ficou habilitada para responder pela Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) no período de funcionamento da cozinha solidária, assegurando que os serviços seguissem as normas e diretrizes profissionais.

Segundo Hellene Souza, coordenadora do Setor de Registro e Cadastro do CRN-7, a medida reforça o compromisso do conselho com a segurança alimentar e nutricional em eventos de grande porte e com a atuação ética de profissionais da área.