No dia 16 de outubro, uma sessão especial na Assembleia Legislativa do Pará (Alepa) marcou a 3ª edição do evento em celebração ao Dia Mundial da Alimentação, que este ano teve como tema: “Direito Humano à Alimentação Adequada e Soberania Alimentar: Desafios e Perspectivas Rumo à COP30”. A conselheira Rahilda Tuma, vice-presidente do Conselho Regional de Nutrição da 7ª Região (CRN-7), representou a categoria de nutricionistas nesse momento de discutir medidas que visem combater a insegurança alimentar no Pará. Além de celebrar a data instituída pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura), a sessão também representou o lançamento da campanha “Natal Sem Fome” no estado.
Realizado no auditório João Batista, o evento foi promovido pela Comissão de Direitos Humanos da Alepa, por iniciativa do deputado Carlos Bordalo (PT-PA) e pela ONG Ação da Cidadania. A organização mobiliza voluntários em todo o país na luta contra a fome e pela dignidade das famílias em situação de vulnerabilidade. A sessão reuniu autoridades, lideranças rurais e representantes da sociedade civil, que reforçaram a necessidade de união entre o poder público e as organizações sociais para erradicar a fome no Pará e no Brasil.
Em sua fala, Rahilda Tuma destacou que o combate à insegurança alimentar e nutricional (ISAN) requer a atuação técnica, ética e responsável dos profissionais da nutrição, promovendo amplo debate na sociedade no sentido de reiterar que a alimentação segura, saudável e em quantidade adequada é um direito constitucional e que o Estado tem a responsabilidade constitucional de garantir esse acesso à toda população, especialmente ao segmento em maior vulnerabilidade social. “Nesse sentido, o CRN-7 promove ações e articulação política permanente junto às instâncias governamentais e não governamentais ligadas às questões da segurança alimentar e nutricional, no sentido de acompanhar o cumprimento de acordos e metas de promoção da saúde, bem estar e qualidade de vida da população”, destacou a conselheira.
Em 2023, segundo o relatório da ONU, a insegurança alimentar severa caiu para 1,2% da população brasileira. Conforme dados do IBGE, em 2023/2024, a proporção de domicílios em condição de insegurança alimentar grave passou de 4,1% para 3,2% no país. Em 2024, mais de 2,2 milhões de domicílios saíram da insegurança alimentar no Brasil: a proporção de domicílios em alguma forma de insegurança caiu de 27,6% para 24,2%.
O Estado do Pará, no entanto, aparece como aquele com a maior proporção de domicílios em situação de insegurança alimentar nos três níveis (leve, moderada, grave): 44,6% dos domicílios, segundo levantamento de 2024/2025. No grau mais grave de insegurança alimentar (fome efetiva ou risco extremo), o Pará registrou cerca de 7,0% dos domicílios. Esses números revelam que, apesar dos avanços em âmbito nacional, em nossa região há famílias que não têm acesso pleno à alimentação adequada e que chegam ao Natal com o risco de maior vulnerabilidade.
Com informações da Alepa