O Conselho Regional de Nutrição da 7ª Região (CRN-7) premiou, durante os eventos em homenagem ao Dia do Nutricionista (28/08), os projetos que se destacaram nas categorias Trabalho Técnico-Científico e Experiência Exitosa, em mais uma edição do Prêmio Álvara Lopes de Mello e Silva, reforçando a importância da pesquisa e das práticas inovadoras no campo da Nutrição na Amazônia.
Na categoria Trabalho Técnico-Científico, o primeiro lugar foi para Zandleme Birino de Oliveira, de Santarém (PA), com o estudo “Bioprodução de Pigmentos Produzidos por Streptomyces spp. Isolados na Amazônia e Aplicação em Alimento”. O projeto investigou actinobactérias coletadas em diferentes pontos da região Oeste do Pará, como o Lago Verde, o Aquífero de Alter do Chão, plantas nativas e até rochas carbonáticas, com o objetivo de produzir pigmentos naturais aplicáveis na indústria de alimentos. Os resultados revelaram potencial antioxidante e reforçam o valor biotecnológico da biodiversidade amazônica como fonte de inovação para produtos alimentícios mais saudáveis e sustentáveis.
Para Zandleme, a conquista tem significado especial. “Esse prêmio joga um holofote na importância da Nutrição. Ele inspira outros colegas, especialmente os que estão começando, a acreditarem no seu potencial e a lutarem por uma saúde mais humana e acessível para todos. É um lembrete do nosso propósito. Ele me fez lembrar do porquê escolhi essa profissão: para cuidar das pessoas. Quero agradecer de coração ao CRN-7 por esse momento. Esse prêmio é o combustível que vou carregar comigo para os próximos desafios, sempre lembrando que a nossa missão de cuidar da saúde através da alimentação é uma das mais importantes que existem”, celebrou o nutricionista, que apresentou sua pesquisa por videoconferência.
Já na categoria Experiência Exitosa, o primeiro lugar foi conquistado por Lorena Machado Lima, de Rio Branco (AC), com o projeto “Sabores da Nossa Terra: ATSA”. A iniciativa buscou fortalecer a soberania alimentar do povo indígena Puyanawa, promovendo uma educação alimentar e nutricional culturalmente sensível. O trabalho resgatou receitas tradicionais como a pamonha de atsa e a farofa de atsa acreana, além de aproximar o conhecimento científico dos saberes ancestrais, criando espaços de diálogo e valorização da identidade alimentar indígena.
Emocionada, Lorena destacou a dimensão coletiva da conquista: “Receber o Prêmio Álvara Lopes de Mello e Silva foi uma emoção imensa. Esse reconhecimento representa não apenas o trabalho individual, mas o esforço coletivo e a dedicação em fazer a diferença na vida das pessoas. É uma vitória construída por muitas mãos, sorrisos, aprendizados e iluminada pelo brilho de cada pessoa de uma equipe incrível. Mais do que um troféu, esse prêmio é um incentivo para seguir contribuindo com responsabilidade, ética e amor pelo que fazemos.”
As duas iniciativas premiadas evidenciam a força da Nutrição na Amazônia, tanto pela via da ciência, que descobre novas possibilidades a partir da biodiversidade regional, quanto pela prática social e cultural, que valoriza tradições alimentares e fortalece a identidade dos povos. O Prêmio Álvara Lopes de Mello e Silva, ao reconhecer esses trabalhos, reafirma o papel estratégico do nutricionista na promoção da saúde, da cultura e da cidadania na região.
Os demais premiados foram na categoria Trabalho Técnico-Científico foram: Elenilma Barros da Silva (Belém/PA), com o trabalho “Educação alimentar e nutricional nas escolas da Amazônia. Valorizando os saberes e sabores da floresta”, em segundo lugar. Já o terceiro lugar ficou com Walkiria de Moraes Silva (Belém/PA), autora de “NutriTEC: Tecnologia transformando o fornecimento de fórmulas”. Na categoria Experiência Exitosa, o segundo lugar foi concedido a Jaqueline Rufino de Aviz (Benevides/PA), autora do projeto “Rede Dourada Benevides: Treinamento multiprofissional em aleitamento materno para a Atenção Básica”. Em terceiro lugar, Kaline Marques Ribeiro (Vilhena/RO) apresentou o trabalho “Do simples ao brilhante: a revolução humanizada da Alimentação Coletiva na CASAI Vilhena”.