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Sociobiodiversidade, Territórios e Saúde: Sistema CFN/CRN leva pauta estratégica à roda de conversa na COP30


O Conselho Federal de Nutrição (CFN) e o Conselho Regional de Nutrição da 7ª Região (CRN-7) participaram, nesta terça-feira (18), da roda de conversa “Educação alimentar e nutricional e formação em saúde no enfrentamento das mudanças do clima”, realizada no estande do Instituto Evandro Chagas (IEC), na green zone da COP30, em Belém (PA), espaço dedicado ao diálogo entre sociedade civil, instituições e lideranças globais interessadas em promover inovação, justiça climática e investimentos sustentáveis.

A atividade integrou a programação estratégica do Sistema CFN/CRN no evento e reuniu especialistas para discutir caminhos de formação em saúde capazes de responder de forma sensível e qualificada aos desafios da crise climática. O CRN-7 participou com a presença da presidente Yonah Figueira, enquanto o CFN esteve representado pelo conselheiro Maurício Novaes, do Amazonas, fortalecendo a atuação conjunta dos nutricionistas na agenda climática.

Territórios, saberes tradicionais e o papel da Nutrição

Em sua fala, Maurício Novaes destacou o vídeo institucional do CFN apresentado no início da roda de conversa, construído a partir do depoimento da nutricionista indígena macuxi Lucinara Martins. Gravado no território do Barata, em Roraima, o material evidenciou a essência do trabalho em Nutrição, uma prática profundamente conectada à cultura, às tradições alimentares, às relações com a terra e à preservação da sociobiodiversidade.

O conselheiro federal, representante do CRN-7 no CFN, enfatizou que povos originários e comunidades tradicionais, embora estejam entre os grupos mais impactados pela emergência climática, são também os principais defensores da biodiversidade e dos sistemas alimentares sustentáveis. Reafirmou ainda que a formação em Nutrição precisa incorporar esse entendimento, fortalecendo competências que integrem direitos humanos, agroecologia, saberes ancestrais, ciência e o enfrentamento das desigualdades sociais, raciais e territoriais.


Saúde indígena e proteção cultural

Em sua fala, a presidente do CRN-7, Yonah Figueira, ressaltou que a presença do nutricionista nas terras indígenas é também um ato humanitário, que contribui para a preservação da cultura alimentar, a segurança nutricional e o fortalecimento de práticas produtivas sustentáveis. Ela lembrou que a perda do acesso tradicional ao alimento leva ao consumo crescente de ultraprocessados, ampliando doenças antes inexistentes nesses grupos. Por isso, defendeu que nutricionistas integrem as equipes mínimas de saúde em territórios indígenas, especialmente diante dos graves impactos das mudanças climáticas sobre a caça, a pesca, os cultivos e os rios.

“A partir do momento que o nutricionista está na terra [indígena], ele está ali desenvolvendo não só um trabalho técnico, mas um trabalho humanitário de preservação da cultura desses povos, e isso contribui na questão da segurança alimentar e também no combate ao efeito estufa, porque estão sendo produzidos hortas, roçados, sem a utilização de químicos e com certeza, alimentos orgânicos muito mais saudáveis”, explicou a presidente.

Na ocasião, Yonah, apresentou a publicação “Atuação do Nutricionista na Saúde Indígena”, desenvolvida em 2023 após a grave crise humanitária enfrentada pelo povo Yanomami. A obra foi produzida pela Comissão de Formação Profissional do Conselho, com o objetivo de oferecer suporte técnico aos nutricionistas interessados em atuar junto às populações indígenas, respeitando suas especificidades culturais, ambientais e organizacionais.

Com gráficos, tabelas e ilustrações, a publicação foi elaborada com base nas referências disponíveis no Ministério da Saúde, na Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI) e artigos científicos, complementadas com informações de profissionais que atuam na área. O material está disponível para download gratuito na Biblioteca Virtual no site do CRN-7 (https://www.crn7.org/atuacao-do-nutricionistana-saude-indigena/). A publicação foi produzida pelas conselheiras Rahilda Tuma e Thais Granado, com o apoio de Talita Guedes, nutricionista do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Guamá-Tocantins (PA).

“Como órgão fiscalizador e normatizador da profissão, vimos nesse momento uma oportunidade de instrumentalizar a categoria e ao mesmo tempo contribuir para a melhoria da saúde da população indígena, respeitando sua cultura e características”, declara a conselheira Thais Granado. “Quando começamos a pesquisar a literatura especializada, vimos que seria necessário incluir desde informações sobre a organização e funcionamento do sistema de saúde indígena, que não é tão conhecido pelos profissionais que não atuam na área, e principalmente informações voltadas para as questões de má nutrição enfrentadas pela população”, explicou a coautora da publicação.

Parceria estratégica com o Instituto Evandro Chagas

A participação na roda de conversa também marcou o fortalecimento da articulação entre o CFN, o CRN-7 e o Instituto Evandro Chagas. Instituição paraense de referência nacional e internacional em ciência e saúde pública, o IEC atua como parceiro técnico em agendas relacionadas à saúde climática, vigilância ambiental, impactos de eventos extremos e diálogo intersetorial.


O objetivo da parceria é promover um diálogo qualificado sobre os impactos da mudança do clima na alimentação, na saúde e nos sistemas alimentares, articulando perspectivas científicas, sanitárias e institucionais. A colaboração também permite apresentar recomendações estratégicas do CFN para fortalecer políticas públicas, práticas profissionais e ações climáticas baseadas em equidade, justiça ambiental e proteção da vida.

Essa cooperação amplia a presença do Sistema CFN/CRN em atividades científicas, sociais e comunitárias da COP30, fortalecendo o compromisso institucional com a produção de conhecimento, a defesa dos territórios e a promoção do Direito Humano à Alimentação Adequada.

Com informações do CFN

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